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Postado por Oriente Fm em 04/08/2016 às 10:31


Arlequina é a melhor coisa de "Esquadrão Suicida" e ofusca até o Coringa


Fãs de quadrinhos provavelmente vão sair satisfeitos depois de ver personagens que conhecem há tempos finalmente se materializarem na tela em "Esquadrão Suicida", que estreia nesta quinta (4). Mas as chances de decepção são grandes para quem chegar ao cinema sem conhecer o universo das HQs e esperando mais do que uma coleção de piadas e cenas de quebra-quebra com muita computação gráfica (que tal uma boa trama?).

A ideia era promissora: Amanda Waller (Viola Davis), uma alta funcionária do governo americano, reúne um grupo de supervilões para proteger a América depois da morte do Superman: Pistoleiro (Will Smith), um matador de aluguel infalível, mas também um pai amoroso; Arlequina (Margot Robbie), a insana cara-metade do Coringa; El Diablo (Jay Hernandez), um chefe de gangue piromaníaco e com crise de consciência; Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), um ser mutante meio humano, meio réptil; Bumerangue (Jai Courtney), um inescrupuloso ladrão de joias australiano; e Magia (Cara Delevingne), o espírito de uma bruxa milenar que possuiu o corpo de uma arqueóloga; além de Rick Flag (Joel Kinnaman), o militar que vai ter que mantê-los na linha; e Katana (Karen Fukuhara), sua samurai particular.

Não precisa ser nenhum gênio para concluir que são personagens demais, e este é um dos maiores problemas do filme, que gasta mais tempo com as apresentações (entregando de cara informações que teriam mais impacto se reveladas ao longo da trama) do que azeitando as relações e a química entre eles. A ponto de ficarmos sem entender em que momento aqueles caras maus e egoístas se tornaram amigões que protegem uns aos outros.

Até há uma tentativa de construir uma amizade entre o Pistoleiro e a Arlequina, vilões que deveriam ser o centro da trama, mas isso também não é bem explorado. No fim, a única que realmente consegue brilhar entre tantos personagens rasos é a Arlequina, de longe a melhor coisa de "Esquadrão Suicida".

Em flashbacks, o filme se detém um pouco mais na história da personagem, na perturbadora relação abusiva (e obsessiva) que ela tem com o Coringa e na origem de sua loucura. Vemos a jovem psiquiatra Harleen Quinzel determinada a curar o Palhaço, seu paciente no Asilo Arkham, sem se dar conta de que estava caindo em uma paixão doentia, que a levaria a abrir mão de sua própria identidade para se tornar a primeira-dama do crime em Gotham, tão insana e violenta quanto sua cara-metade de cabelos verdes.

Entre todos os integrantes do Esquadrão, Arlequina é a única que abraça o espírito anárquico e sem remorsos que se espera de um grupo formado pelos piores vilões que o governo americano conseguiu reunir –ela chega a zombar da vontade de um deles de ter uma vida "normal". É com ela também que o filme consegue manter o clima de humor subversivo, irreverência, agilidade e visual estridente prometido pelos trailers. Quando ela não está em cena, o que sobra é quase sempre o tom sombrio e pasteurizado criado por Zack Snyder para o universo da DC no cinema.

Arlequina ofusca até a tão aguardada (e curta) participação de Jared Leto como o maior inimigo do Batman, que entrega uma mistura de Tony Montana ("Scarface") com um palhaço de circo, muito menos ameaçadora e imprevisível do que a versão de Heath Ledger. Mas o mérito é também de Margot Robbie, com uma atuação sempre na linha entre fragilidade e força, insanidade e meiguice, deixando entrever que esta não é só uma vilã "chutadora de bundas", mas também uma personagem trágica.

Fonte: http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/04/arlequina-e-a-melhor-coisa-de-esquadrao-suicida-e-ofusca-ate-o-coringa.htm#fotoNav=35

Natalia Engler
Do UOL, em São Paulo


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